Mais um grupo de Professores em Mobilidade Erasmus+ na Finlândia
Entre os dias 9 e 16 de março de 2026, um grupo de 10 docentes da nossa escola viajou, mais uma vez, até à Finlândia para conhecer de perto um dos sistemas educativos mais conceituados do mundo. A experiência, promovida pelo programa Erasmus+, trouxe na bagagem novas perspetivas e uma motivação renovada para a nossa comunidade escolar. Fica aqui o testemunho.
Foi na área metropolitana de Helsínquia que vivenciámos uma semana de intensa aprendizagem e observação de práticas letivas. O destino foi a International School of Vantaa (instagram), uma escola pública básica integrada que acolhe cerca de 600 alunos, do 1.º ao 9.º ano. Com o inglês como principal língua de ensino, esta instituição destaca-se pelo seu ambiente fortemente multicultural e internacional.

O objetivo principal desta mobilidade passou pela observação de práticas letivas. Durante a estadia, tivemos a oportunidade de assistir a 37 aulas nos níveis “Elementary” (1.º ao 5.º ano) e “Junior High” (6.º ao 9.º ano), acompanhando disciplinas tão diversas como Matemática, Ciências, Inglês, História, Artes, Robótica, Educação Cívica e Economia Doméstica.
Autonomia e Ensino Prático em Destaque
Em grupo, de forma informal, fomos fazendo uma análise comparativa entre a nossa realidade e o sistema finlandês. Uma das maiores diferenças notadas foi a “lógica de simplificação estrutural” e a enorme valorização da autonomia na Finlândia, contrastando com a organização escolar mais formalizada do sistema português.
O que mais impressionou foi o elevado grau de independência dos alunos, não na sala de aula, mas no espaço-escola. Desde muito cedo, os estudantes assumem a responsabilidade pelo seu processo de aprendizagem e pela gestão do dia a dia escolar, apesar de aulas muito orientadas (até mais do que em portugal).




O ambiente é pautado pela informalidade e pelo respeito natural pelas regras uma vez que os alunos andam descalços pela escola, reparam o seu próprio material, envolvem-se nas tarefas de arrumação e as refeições funcionam num prático regime de buffet livre. Não existem funcionários.
A vertente prática do currículo também mereceu aplausos. Na disciplina de Economia Doméstica, por exemplo, os jovens aprendem a cozinhar, a passar a ferro, a tratar da roupa e a reciclar. Nas Ciências, o foco desvia-se da teoria excessiva para a experiência laboratorial, enquanto em Educação Cívica se trabalha ativamente a literacia financeira.




As infraestruturas revelaram um forte investimento em recursos digitais, tecnológicos e, muito especialmente, artísticos — uma área cuja avaliação é marcadamente performativa e criativa, reforçando o papel crucial das Artes no desenvolvimento global dos jovens.
Cultura e Inspiração para o Futuro
A complementar a vertente letiva, a mobilidade integrou um programa cultural diversificado. Visitámos a inspiradora biblioteca central Oodi (concebida como uma autêntica “sala de estar partilhada” da cidade), as Catedrais de Helsínquia e Uspensky, a Igreja Temppeliaukio, o Parque Sibelius e a Ilha de Suomenlinna, entre outros. Houve ainda espaço para alargar horizontes com visitas a Tallinn, na vizinha Estónia, e ao centro de Frankfurt, na Alemanha.
No regresso à nossa escola, o balanço desta aventura europeia é unânime: foi uma experiência profundamente enriquecedora a nível pessoal e profissional. Embora cientes de que os modelos educativos não podem ser copiados diretamente devido às diferenças socioculturais, regressámos a Portugal com perspetivas pedagógicas muito mais amplas. O grande objetivo, agora, é partilhar e aplicar estas inspirações no nosso dia a dia, continuando a desafiar os nossos alunos com aprendizagens cada vez mais práticas, autónomas e significativas.

Teresa Carvalho
Isabel Simas
Patrícia Azevedo
Nelson Latas
Elisabeth Carmo
Carlos Veiga
Sérgio Coelho
Teresa Santos
Paulo Correia
Paula Júlio

































