Um grupo de professoras do 1º ciclo do Agrupamento de Escolas de Alcácer do Sal estivaram na finlândia entre os dias 20 e 29 de novembro de 2025 no âmbito do projecto AEAS InnoPath: Inovar na Educação e Formação com o Erasmus+
Os objetivos foram os seguintes:
- Conhecer abordagens de ensino inovadoras e interdisciplinares, vivenciadas em ambientes de aprendizagem inclusivos, equitativos e criativos;
- Melhorar as competências linguísticas, em língua inglesa;
- Fortalecer as competências digitais;
- Aprofundar conhecimentos, no âmbito de uma educação orientada para a sustentabilidade;
- Viver uma experiência internacional que nos permitisse crescer e alargar horizontes.

Roteiro das atividades desenvolvidas
20 de novembro – Visita ao Museu Heureka
O Heureka é o Centro de Ciência Finlandês, localizado em Vantaa (nos arredores de Helsínquia). é definido como um espaço de exposições interativas e atividades práticas que visam popularizar a informação científica e tecnológica de uma forma divertida e envolvente, para todas as idades. Posteriormente à visita realizámos um vídeo coletivo no qual abordámos três aspetos: o que aprendemos sobre o Heureka; qual foi a atividade mais interessante; e qual de nós teria coragem de experimentar a “bicicleta no ar”. Em suma, o que foi do nosso interesse e porquê (always in english….)
21 de novembro – Visita À escola Havukosken Koulu
É uma Escola do 6.º ao 9.º anos. Fomos recebidos pelo diretor Mr. Arto Martikaineen.
A visita à escola Havukoski Koulu destacou-se como um dos momentos mais marcantes, deste projeto.
Desde o primeiro instante, ficou claro que esta escola valoriza profundamente o trabalho cooperativo – não apenas como uma metodologia pontual, mas como um pilar estruturante da sua cultura educativa.
Ficámos especialmente agradadas com o modo como a organização dos horários é pensada para favorecer a colaboração: os professores de uma mesma disciplina têm oportunidades reais de trabalhar com alunos de diferentes turmas, promovendo, dessa forma, uma maior diversificação de estratégias e uma partilha contínua de práticas. Analogamente, a flexibilidade organizacional facilita o desenvolvimento de projetos interturmas, a partilha de boas práticas entre docentes e a criação de ambientes de aprendizagem mais dinâmicos, onde o foco está na cooperação e não apenas na instrução tradicional.
Desde o primeiro instante, ficou claro que esta escola valoriza profundamente o trabalho cooperativo – não apenas como uma metodologia pontual, mas como um pilar estruturante da sua cultura educativa.
Outro elemento particularmente revelador é a existência de um período comum às quartas-feiras à tarde, reservado, exclusivamente, para reuniões, cooperação e partilha entre docentes. Esta decisão demonstra, antes de tudo, uma real compreensão de que a qualidade da educação depende de uma equipa articulada, que reflete, discute e constrói soluções em conjunto.
Uma Escola Diferente
Do mesmo modo, também nos impressionou profundamente o valor atribuído à aprendizagem realizada fora da sala de aula, desenvolvida nos mais variados espaços escolares. Ao observar como os diferentes ambientes da escola eram utilizados – corredores, átrios, bibliotecas, espaços ao ar livre e até zonas de lazer – percebemos que estes locais promovem, não apenas a autonomia, mas também estimulam a curiosidade e favorecem uma aprendizagem mais flexível e significativa. O simples facto de os alunos poderem circular, trabalhar em pequenos grupos ou escolher o ambiente que melhor se adequa à tarefa, cria um clima de motivação e responsabilidade acrescida. Aliás, importa salientar que esta metodologia só é possível graças ao ciclo de confiança atribuído aos alunos.

Portanto, a escola acredita na sua capacidade de tomar decisões, resolver problemas e gerir responsabilidades. Razão pela qual, esta confiança não só estabelece um ambiente seguro e motivador, como também fomenta a responsabilidade, fortalece a autoestima e potencia a motivação dos estudantes. É, sem dúvida, um verdadeiro exemplo de como a cooperação, a organização inteligente, o bem-estar e a confiança podem transformar uma escola num espaço de aprendizagem mais eficaz, mais justo e mais inspirador. É, certamente, uma realidade que nos desafia a repensar práticas e a procurar caminhos mais colaborativos e humanos na educação.
A escola acredita na sua capacidade de tomar decisões, resolver problemas e gerir responsabilidades. Esta confiança não só estabelece um ambiente seguro e motivador, como também fomenta a responsabilidade, fortalece a autoestima e potencia a motivação dos estudantes.
Outro aspeto que consideramos exemplar, no sistema educativo finlandês, é a liberdade concedida tanto às escolas como aos professores na construção e gestão do currículo, na avaliação e na definição de estratégias com a finalidade de superar dificuldades de aprendizagem. Esta autonomia, sempre orientada para a promoção do sucesso de todos os alunos, demonstra uma confiança que valoriza verdadeiramente o papel dos profissionais da educação.
24 e 25 de novembro – Trycamps language school
- Breve apresentação da pedagogia finlandesa.
- Apresentação dos participantes no projeto (nós e mais 3 grupos de italianos) (in english)
- Atividade prática e colaborativa em grupo (portugueses + italianos).
- Quiz interativo individual na plataforma Wayground.
- Almoço-convívio.
A TRYcamps Language School proporciona um aprofundamento do conhecimento sobre o sistema educativo finlandês com metodologias de aprendizagem ativa que podemos aplicar, na prática. Assim, foi possível, também, o desenvolvimento de competências digitais e linguísticas. Deste modo, as atividades propostas pela escola proporcionaram um contexto ideal para desenvolver competências sociais e comunicativas, que dificilmente seriam adquiridas, noutro ambiente. O contacto diário com a língua inglesa, aliado à necessidade de comunicar de forma eficaz em ambientes profissionais internacionais, contribuiu de forma significativa para o nosso crescimento linguístico.
26 de novembro – Reunião meet e visita à biblioteca
Começámos com uma Reunião online com uma professora italiana que vive na Finlândia (Mrs. Marina Tosi)
De Tarde visitámos a biblioteca Oddi. A Biblioteca Central de Helsínquia, Oodi (ou simplesmente Oodi), define-se menos como um tradicional repositório de livros e mais como um espaço público urbano vivo. É um centro comunitário e um símbolo de democracia e cidadania. Foi eleita a melhor nova biblioteca pública do mundo em 2019.
A Oodi é uma “sala de estar urbana” que reinventa o conceito de biblioteca pública, focando-se na funcionalidade, na inovação e em ser um ponto de encontro dinâmico para todos os cidadãos.

27 de novembro – Visita ao bosque nuuksio
O Bosque Nuuksio refere-se, geralmente, ao Parque Nacional de Nuuksio (em finlandês, Nuuksion kansallispuisto). É uma vasta área de natureza selvagem localizada na Finlândia, perto da área metropolitana de Helsínquia. Trata-se de um refúgio natural acessível que oferece uma amostra representativa da paisagem finlandesa, caracterizada por florestas boreais, lagos cristalinos e relevo acidentado. É um local com frequentes visitas de estudo, de várias escolas, devido à proximidade da zona urbana de Helsínquia. Geralmente, é um local onde as crianças podem recolher frutos silvestres, em época própria.

A visita ao bosque configura um excelente exemplo de como é possível aprender com a natureza, integrando a sustentabilidade na educação, de forma ativa e envolvente. Esta experiência mostrou que a aprendizagem não se limita à sala de aula. Assim, a mesma, pode e deve ser expandida para o ambiente natural, onde os alunos podem observar, refletir e agir em relação às questões ambientais de maneira prática e concreta.
28 de novembro – Visita à fábrica karl fazer
A fábrica de chocolates Karl Fazer define-se, na verdade, como o Centro de Experiência do Visitante Fazer (Fazer Experience Visitor Centre). É um destino popular e moderno localizado em Vantaa (nos arredores de Helsínquia). Não uma fábrica tradicional aberta ao público em geral. A Fazer é uma icónica e histórica marca finlandesa, muito valorizada no país, conhecida pelos seus chocolates e doces. O centro de visitantes oferece uma experiência imersiva e educacional, em vez de um tour exaustivo pela linha de produção industrial.


A preocupação com a sustentabilidade foi igualmente evidente na visita ao Heureka Learning Center, assim como, na visita à Fazer Factory. Nesta última, percebemos que as empresas também assumem a responsabilidade de integrar práticas ambientalmente conscientes, nos seus objetivos e operações. Com efeito, estas experiências reforçam a ideia de que educar para a sustentabilidade é essencial para formar indivíduos críticos, conscientes e capazes de tomar decisões responsáveis. Desta forma, aprender sobre o ambiente, observando-o diretamente e percebendo como diferentes setores da sociedade se adaptam a esta preocupação, proporciona uma aprendizagem mais significativa, prática e transformadora.
Conclusão
Por fim, a dimensão humana desta experiência foi, também, extremamente marcante. Estar em contacto com profissionais de diversas áreas, culturas e realidades foi inspirador. A troca de ideias, os debates, as reflexões partilhadas e até os desafios enfrentados, ao longo do processo, criaram um ambiente de aprendizagem vivo e motivador. Sentimo-nos parte de uma comunidade global dedicada à inovação educativa, e isso trouxe-nos não só conhecimento, mas também motivação renovada para continuar a evoluir.
Mais do que um simples momento de formação, esta viagem representou uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional que levaremos connosco ao longo de toda a nossa carreira.
Em suma, participar neste projeto foi muito mais do que cumprir objetivos: foi uma oportunidade de transformação. Saímos desta experiência com uma visão mais ampla, mais aberta e mais confiante do nosso papel enquanto profissionais da educação. Regressar com ideias novas, com exemplos concretos e com a motivação reforçada para implementar mudanças é, sem dúvida, uma das maiores riquezas que esta experiência nos proporcionou.
Decerto, para que haja mudança, é necessário partilhar com os colegas, nas nossas escolas, tudo o que vivenciamos e aprendemos, de modo a extrapolar o conhecimento individual, tornando-o coletivo.
Mais do que um simples momento de formação, esta viagem representou uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional que levaremos connosco ao longo de toda a nossa carreira.
- Eufrásia Teles
- Mª Esmeralda Batista
- Mª Fernanda Horta
- Mª Florinda Cadaixa
- Mª Manuel Heleno
- Teresa Marmeleira
